cinema
"Todo poder emana do povo e em seu nome deve ser
exercido". Quando o jurista Sobral Pinto (1893-1991) pronunciou essa frase num
dos palanques do comício das Diretas Já, em 1984, o povo o ovacionou como se
aclama um rei. O povo sabia a quem estava aplaudindo. Católico fervoroso, Sobral
Pinto aceitou advogar em defesa do líder comunista Luís Carlos Prestes, em 1935,
porque acreditava na democracia, mesmo que tudo indicasse que os tempos eram
sombrios, de supressão dos direitos políticos. Foi assim durante as ditaduras
Vargas e a de 64. Sobral era um homem de grande estatura ética e moral. Recusou
causas milionárias e até mesmo uma vaga no STF, oferecida pelo presidente
Juscelino Kubitschek.
A história deste homem virou documentário -- "Sobral, o homem que não tinha
preço", de Paula Fiuza e produzido por Augusto Casé, que terá sessão popular no
Pavilhão do Festival do Rio às 13h30m de amanhã, dia 4 de outubro. Ao final da
sessão, que dura cerca de uma hora, haverá debate mediado pelo jornalista Chico
Otávio, do GLOBO. Estarão presentes na mesa a diretora Paula Fiuza, o produtor
Augusto Casé, a psicanalista e filha de Sobral Gilda Sobral Pinto, o presidente
da OAB/RJ Wadih Damous, o presidente da Caarj (Caixa de Assistência dos
Advogados do Rio de Janeiro) Felipe Santa Cruz, o presidente da RioFilme Sérgio
Sá Leitão, a advogada e membro da Comissão da Verdade Rosa Cardoso e o advogado
Modesto da Silveira.
Em 1999, um jovem advogado tem acesso a arquivos
secretos de áudio do Superior Tribunal Militar que registram impressionantes
defesas de presos políticos na ditadura pós-64. A voz que mais se ouve nas
gravações é a do jurista Sobral Pinto. A partir da descoberta destes arquivos
históricos, o filme retrata a trajetória singular de Sobral, advogado de coragem
ímpar e ética inabalável, que colocou a justiça acima de qualquer ideologia e
enfrentou todos os ditadores brasileiros do século XX, tornando-se um dos
maiores defensores dos direitos humanos de que já se teve notícia.
Ficha Técnica
Direção: Paula Fiuza
Produção: Augusto Casé
Fotografia: Jacques
Cheuiche
Montagem: Quito Ribeiro
Música: Marcos Kuzka Cunha
Pesquisa:
Antonio Venancio, Maria Byington e Cristina Vignoli
PS. arrepiante ver o treiler. acesse
aqui