quarta-feira, 10 de agosto de 2011
REVISTA CIENTÍFICA DOS ESTUDANTES DA UFPa - chamada de artigos
Os estudantes de Direito que estiverem interessados em ter seus artigos publicados na Rrevista devem enviar um e-mail com o trabalho para cadel.ufpa@gmail.com até o dia 30 de setembro. Todos os trabalhos enviados deverão ser inéditos e conter resumo em português ou em alguma língua estrangeira; no máximo, três palavras chave e referências bibliográficas. Serão selecionados apenas os trabalhos que possuam entre 10 e 15 páginas e com, no máximo, dois autores.
A adequação ao tema proposto, desenvolvimento claro e relevância para a área do Direito serão alguns dos pontos levados em consideração para a seleção dos trabalhos, feita por um grupo de professores do Instituto de Ciências Jurídicas (ICJ) da UFPA. A lista com os trabalhos selecionados para compor a Revista será divulgada na página do Cadel, na internet.
Serviço:
Chamada de artigos para compor a Revista dos Estudantes de Direito.
Envio de trabalhos até o dia 30 de setembro de 2011, pelo e-mail do Cadel cadel.ufpa@gmail.com.
Confira aqui os procedimentos de envio de artigos.
Texto: Dilermando Gadelha – Assessoria de Comunicação da UFPA.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
QUAL A FUNÇÃO DA INTRODUÇÃO?
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Como ser bem sucedido nos estudos
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Como fazer uma resenha
Uma resenha, ao contrário do que imagina a maioria das pessoas, não é um resumo de uma obra. A resenha exige uma leitura atenta e conhecimento sobre o assunto a ser resenhado.
Historicamente, a resenha surgiu da necessidade de escolha en-tre diversos livros que estavam sendo publicados. Como escolher entre tantas obras? O resenhista era a pessoa que lia, fazia o comentário e dava ao leitor informações que permitiriam saber se interessava ou não ler a obra original. Essa função ainda é cumprida atualmente pelos cadernos de cultura dos jornais, que apresentam resenhas sobre livros, filmes e até CDs. Um interessante site de resenhas é o Digestivo Cultural.
Normalmente, também revistas científicas apresentam resenhas. Nesse caso, o resenhista deve ser um pouco mais cuidadoso, pois ele estará falando para pessoas especialistas em determinada área de conhecimento.
Muitos autores têm classificado a resenha, mas a que parece mais adequada é a divisão entre resenha literária e resenha científica. A literária se destina ao público leigo e tem menos elementos obrigatórios. O objetivo é apenas apresentar informações sobre uma determinada obra, dando ao leitor condições de escolher se quer ou não comprá-la.
A resenha científica deve, além disso, apresentar a importância científica da obra, o paradigma do autor, entre outras informações.
Abaixo, alguns elementos necessários a uma resenha:
Referência bibliográfica completa
O resenhista deve colocar, no início da resenha, todos os elementos bibliográficos, de acordo com as regras da ABNT. No caso de uma resenha literária, bastam o título do livro, o nome do autor e a editora.
Credenciais do autor
Informações sobre o autor, em especial sua formação universitária, títulos e livros publicados.
Resumo da obra (digesto)
Aqui se resume as idéias principais do autor. É aconselhável que dê uma visão geral da obra, e haja um aprofundamento de um capítulo ou mais.
Conclusões da autoria
Qual é a tese do autor? O que ele quer provar com seu livro? A que conclusões ele chega?
Metodologia
Qual foi a metodologia utilizada pelo autor? O texto é apenas um en-saio, ou é resultado de uma pesquisa de campo? Sua pesquisa é qualitativa ou quantitativa?
Quadro de referências do autor (paradigma)
Qual é o paradigma no qual o autor sustenta suas idéias? Cada área de conhecimento tem seus paradigmas específicos. Nas ciências sociais, por exemplo, há o paradigma marxista, o positivista/funcionalista, o estruturalista...
Crítica do resenhista
Esse é o momento em que o resenhista faz sua análise da obra. Qual a sua importância? Que contribuição ela traz para o seu campo de estudo. Como é a linguagem do autor? Simples, clara, complexa, rebuscada? O livro aprofunda os assunto estudados? Atenção: criticar não significa falar mal, mas falar com embasamento. Portanto, pode-se sim, elogiar a obra.
Indicações do resenhista
A quem se destina a obra? Quem poderia se interessar por ela? O lei-tor precisa ter algum tipo de conhecimento prévio para compreender o livro? É um dos itens mais importantes da resenha.
Nem sempre é possível fazer uma resenha com todos esses elementos e já li ótimas resenhas que não de fato não tinham um ou mais elementos apresentados acima.
Também é importante dizer que esses elementos foram divididos por questões didáticas, mas a maioria dos autores faz um texto corrido no qual aparecem as informações necessárias de uma resenha.
A resenha científica deve evitar expressões pessoais.
Clique aqui para ler uma resenha literária e aqui para ler uma resenha de um livro na área do Direito.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
O bom uso do Power point
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
O problema científico

Todo trabalho começa com um questionamento, uma pergunta que deve ser respondida. A essa pergunta chama-se Problema. Um problema inteligente é aquele que contem uma possível resposta e delimita a pesquisa, além de relacionar duas ou mais variáveisAssim, o problema abaixo não é uma pergunta inteligente:
Qual o impacto das novas tecnologias sobre o comportamento das pessoas?
O que há de errado com ele? Primeiro, ele não delimita a pesquisa. Segundo ele não faz relação entre variáveis. O mesmo problema poderia ser melhor expresso da seguinte maneira:
O uso do computador torna as pessoas mais solitárias?
Formulado assim, o problema nos dá uma idéia de como deveremos fazer a nossa pesquisa e até a respeito da metodologia necessária para responder a essa pergunta. Ele estabelece uma relação entre uma variável independente (uso do computador) e uma variável dependente (aumento de solidão).A problemática deve ser elaborada de forma clara e precisa.Um outro exemplo:Qual a causa do grande número de assassinatos com armas brancas em Macapá?A problemática acima, embora seja uma pergunta e possa ser aceita em um projeto, não cumpre a função de delimitar a pesquisa e indicar uma relação entre variáveis.
O mesmo problema seria melhor descrito da seguinte maneira:
O grande número de assassinatos com armas brancas em Macapá é provocado pelo uso abusivo de bebidas alcoólicas?
Redigida assim, o problema dá ao pesquisador uma boa noção de como fazer a pesquisa. Ele deverá procurar uma relação entre os assassinatos com arma branca (variável dependente) e o consumo abusivo de bebidas alcoólicas (variável independente).
Segundo Rudio (autor do ótimo livro Introdução ao Projeto de pesquisa), o problema deve apresentar três qualidades fundamentais: a) enunciar uma questão cuja melhor solução seja uma pesquisa; b) apresentar uma questão que possa ser resolvida através de processos científicos; c) ser factível com relação à capacidade de pesquisa do investigador.
Assim, indagar quantos dias tem o ano não é um problema científico, pois a resposta é conhecida e não é necessário pesquisar para descobri-la.
Da mesma forma, questões que não possam ser resolvidas cientificamente não servem. Por exemplo: qual é a cor das asas dos anjos? Até o momento, a ciência não desenvolveu instrumentos que permitam descobrir a resposta para essa pergunta. Esse, portanto, não é um problema científico.Quanto ao item c, muitas vezes os alunos escolhem um problemática que demanda grandes recursos ou toda uma equipe. Exemplo: “O papel da mulher sofreu alterações na literatura de todos os países do mundo na virada do século XIX para o século XX?”. Uma problemática dessas é impossível de ser realizada por um único pesquisador. Semelhante tema poderia ser melhor formulado da seguinte maneira: “O papel da mulher sofreu alterações significativas na literatura brasileira durante a virada do século XIX para o século XX?”.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Dica de filme: Watchmen
Watchmen, filme de Zack Snyder, baseado na obra de Alan Moore e
Dave Gibbons, parece apenas mais um filme de super-heróis. Mas, por trás dos uniforme e das máscara, há uma obra que envolve conceitos filosóficos e científicos.Watchmen surgiu de uma ideia de Alan Moore de mostrar como seria o mundo se os super-heróis realmente existissem. Como eles se relacionariam com os seres humanos normais, quais seriam suas angústias, que consequências isso teria?
Para responder a essas perguntas, Moore lançou mão de um dos princípios da teoria do caos: o efeito borboleta. Esse conceito foi elaborado a partir da grande dependência das condições iniciais apresentadas pelos fractais. A mudança de um único número pode transformar completamente o formato de um desenho fractal. A mesma regra vale para alguns eventos não lineares. Assim, o bater de asas de uma borboleta nas muralhas da China pode provocar uma tempestade em Nova York.
Moore transpôs o conceito para os quadrinhos. Se o bater de asas de uma borboleta pode ter consequências tão imprevistas, imagine-se o surgimento de super-heróis. Para Moore, o mundo jamais seria o mesmo. Com isso ele destruiu a ilusão de que deuses poderiam andar entre nós sem afetar radicalmente nosso cotidiano.
Até então, os avanços tecnológicos conseguidos pelos super-heróis não afetavam em absoluto o mundo em que viviam. Um exemplo disso são as histórias do Quarteto Fantástico, no qual apareciam foguetes estelares e computadores capazes de criar realidade virtual, mas essas mudanças não afetavam a vida das pessoas comuns.
O mundo de Watchmen que, até a década de 60 era semelhante ao nosso, transforma-se com o surgimento do primeiro herói com superpoderes de verdade: o Dr. Manhattan. Seu surgimento fez com que os EUA vencessem a guerra do Vietnã e, de certa forma, a Guerra Fria. . A cena inicial do filme, com créditos mostra as mudanças socias, políticas e tecnológicas provocadas pelo surgimento dos heróis: a repressão ao movimento hippie, o avanço da violência, a tensão com os países socialistas aumentando, o avanço da tecnologia...

É de se destacar que a própria transformação de Manhattan em um ser super-poderoso é provocado por um fato trivial, um efeito borboleta: o esquecimento de um relógio numa câmara de campo intrínseco.
Essa nova perspectiva e a narrativa não-linear, repleta de flash-backs e de informações em variados níveis tornaram Watchmen a obra a mais revolucionária da época.
Vista sob a perspectiva dos anos 90, Watchmen destaca-se por ser uma obra nitidamente pós-moderna. Algumas características das obras pós-modernas podem ser facilmente encontradas na HQ e no filme. Entre elas o uso de formas gastas e da cultura de massas. A construção em abismo é outra característica que encaixa Watchmen no grupo de obras pós-modernas. A história inicia com uma trama básica, a respeito de um matador de mascarados, e, a partir dela, desmembra-se outras tramas. Como num fractal, à medida em que nos aprofundamos, a história vai nos revelando novas complexidades.
Temos ainda o uso de personagens reais (Nixon aparece na história), o pesadelo tecnológico (o mundo de Watchmen está à beira de uma guerra nuclear), o uso de citações e metalinguagem (um garoto lê, em uma banca de revistas, um gibi de piratas que pode ser considerado como uma metáfora de toda a história - essa HQ foi transformada em desenho animado e lançada como DVD).
Mas a principal característica pós-moderna da história parece ser a mistura do sério com o divertido. Divertido porque Watchmen é uma história de super-heróis e, em certo sentido, policial, e guarda muitas características desses dois gêneros.
O caráter sério é a discussão sobre o mundo em que vivemos, sobre o que nos tornamos e sobre a ciência e a razão.

Um dos pontos-chave dessa discussão é o Dr. Manhattan que, graças a um acidente em um laboratório, torna-se onisciente e onipresente. Sua criação parte do princípio da ciência clássica de que o universo é um relógio e que, sabendo-se como funcionam seus mecanismos, é possível prever sua trajetória. Essa noção do universo como um relógio remonta a Laplace, sendo uma promessa da filosofia das luzes do século XVIII. Acreditava-se que a natureza seguia regras fixas que podiam ser descobertas com o uso da razão, como no caso de um relógio.
A inteligência laplaciana seria onisciente, mas impotente para realizar alterações no mundo à sua volta. Uma vez que tudo é determinado, restaria a ela apenas um olhar entediado sobre o porvir, pois nada poderia ocorrer que não tivesse previsto.
A inteligência laplaciana, como uma metáfora da ciência clássica, é representada em Watchmen pelo personagem Dr. Manhattan. Manhattan é um ser superpoderoso, mas incapaz de tomar decisões que não estejam incluídas no curso dos acontecimentos. À certa altura o personagem diz: “Tudo é pré-ordenado, até minhas respostas. Todos somos marionetes, Laurie. A diferença é que eu vejo os barbantes”.
Manhattan vive uma sabedoria que, ao invés de libertá-lo, torna-o prisioneiro dos acontecimentos. Essa postura o exime de responsabilidades.
Em contraposição ao demônio Laplaciano, Moore cria Ozymandias, um herói que cria estratégias a partir do caos, como pode-se perceber na sequência em ele olha para mutitela e toma decisões.
Em frente à multitela, Ozimandias monta sua estratégia a partir das informações que recebe a respeito da velocidade das partículas que se aproximam da abertura. A partir da entropia inicial, Ozimandias consegue perceber uma forma, um padrão. Assim, Ozymandias aproxima-se muito das teorias de Edgar Morin, segundo o qual a ciência deve trabalhar com ordem e caos e não com o determinismo.
Assistir Watchmen pode ser uma experiência divertida, mas pode ser também uma reflexão científica e a filosófica.
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
O gerador de Lero-lero
Tem gente que acha que escrever científicamente é escrever difícil. O texto enrolado e incompreensível virou sinônimo de ciência. Infelizmente, pois um dos princípios científicos básicos o da simplicidade, também chamado de Navalha de Ockan (segundo o qual, diante de duas explicações para o mesmo fato, a mais simples é a correta).
Já tivemos o famoso caso do físico Alan Sokal, que mandou um artigo para uma revista científica de sociologia, que foi publicado, com direito a elogios no editorial. Pouco depois, publicou um outro texto: "Físico faz experiência com revista social" no qual dizia que o artigo publicado pela revista de sociologia era apenas um amontoado de besteiras e só havia sido aceito porque: 1) ninguém tinha entendido nada, então acharam genial; 2) por causa do seu título de doutor em física; 3) ele falava o que eles queriam ouvir.
Infelizmente, poucos aprenderam com o caso Sokal e ainda se escreve muita bobagem que passa por ciência. Pior, muitas dessas bobagem são aceitas. Já existe até um gerador de Lero-lero (dica do Danilo Costa, da turma 2. DIN2) que promete fazer uma dissertação de mestrado apenas juntando palavras sem sentido. Coloquei a expressão"método científico" e vejam o que saiu:
É claro que o entendimento das metas propostas apresenta tendências no sentido de aprovar a manutenção dos métodos utilizados na avaliação de resultados. O que temos que ter sempre em mente é que a expansão dos mercados mundiais prepara-nos para enfrentar situações atípicas decorrentes das diversas correntes de pensamento.
Ou seja: um texto prolíxo, sem nenhum significado. Tudo, menos um texto científico.
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Pra que serve a metodologia científica?
Há algum tempo, meu filho se viu em dúvida sobre qual é o animal mais rápido do mundo. Alguns diziam que era guepardo; já para outros, era o falcão.


