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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

REVISTA CIENTÍFICA DOS ESTUDANTES DA UFPa - chamada de artigos

Direitos Humanos - O tema da primeira edição da Revista será os Direitos Humanos, que, ainda de acordo com o estudante, é não apenas a linha de pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Direito, como também um tema bastante abrangente que precisa ser explorado, na área.

Os estudantes de Direito que estiverem interessados em ter seus artigos publicados na Rrevista devem enviar um e-mail com o trabalho para cadel.ufpa@gmail.com até o dia 30 de setembro. Todos os trabalhos enviados deverão ser inéditos e conter resumo em português ou em alguma língua estrangeira; no máximo, três palavras chave e referências bibliográficas. Serão selecionados apenas os trabalhos que possuam entre 10 e 15 páginas e com, no máximo, dois autores.

A adequação ao tema proposto, desenvolvimento claro e relevância para a área do Direito serão alguns dos pontos levados em consideração para a seleção dos trabalhos, feita por um grupo de professores do Instituto de Ciências Jurídicas (ICJ) da UFPA. A lista com os trabalhos selecionados para compor a Revista será divulgada na página do Cadel, na internet.

Serviço:

Chamada de artigos para compor a Revista dos Estudantes de Direito.
Envio de trabalhos até o dia 30 de setembro de 2011, pelo e-mail do Cadel cadel.ufpa@gmail.com.

Confira aqui os procedimentos de envio de artigos.

Texto: Dilermando Gadelha – Assessoria de Comunicação da UFPA.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

QUAL A FUNÇÃO DA INTRODUÇÃO?

Veja o artigo sobre o significado da "introdução" em um artigo técnico-científico, monografia ou dissertação. Aqui

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Como ser bem sucedido nos estudos

Prof. Gilberto T. Suzuki – UNAMA professorsuzuki@gmail.com
Artigo adaptado por Elizabeth  Magno, Coordenadora Pedagógica do CEAP.

Se você parou para ler este artigo, parabéns, este é o primeiro requisito para ser bem sucedido, ou seja, estar interessado em alcançar o êxito acadêmico.
Devemos entender que nem sempre boas notas representam o sucesso nos estudos. Infelizmente existem alunos que utilizam a “cola” e assim obtêm a nota desejada. Nesta situação, nota não é sinônimo de conhecimento.
Ser bem sucedido nos estudos significa assimilar os conceitos da sala de aula, e saber como aplicá-los de forma eficiente e eficaz, significa estar se preparando para ser um profissional competente no mercado de trabalho.
Vejamos algumas dicas úteis:
1  Assista às aulas. Preste atenção às explicações do professor.
2  Seja um aluno ativo dentro e fora da sala de aula
3  Pergunte quando não estiver entendendo a matéria. Muitos alunos ficam com vergonha de perguntar. Ninguém nasceu sabendo. Perguntar é um direito seu como aluno. Pergunte. Você pode ter certeza de que outros colegas também prestarão atenção à explicação do professor.
4  Mantenha o canal de comunicação com o  professor sempre aberto, e não interprete as observações que ele lhe faz como algo pessoal.
5  Faça uma pequena revisão todos os dias.
6  Escreva um resumo da matéria para se ter uma visão geral.
OBS: Descubra a maneira que mais contribui para que sua mente retenha as informações estudadas: se é escrevendo, falando, dialogando, etc.
7  Se a matéria é de cálculo, faça muitos exercícios. A primeira etapa consiste em tentar fazer sozinho, se você não conseguir, não se preocupe, olhe no caderno e tente descobrir qual foi sua falha. Faça o exercício até você assimilar todos os passos e conseguir completar o exercício sem olhar para o caderno.
8  Procure ler além das matérias em sala de aula, aprimore seus conhecimentos. Leia revistas especializadas, jornais, internet, etc.
9  Estude não somente as matérias, mas também estude o professor, preste atenção no seu estilo de aulas e de avaliação.
10  Procure ajudar o colega que está tendo dificuldades. Você terá dois grandes benefícios. Em primeiro lugar, o seu colega ficará muito feliz e em segundo lugar, você solidificará seu conhecimento.
11 Seja uma pessoa organizada, monte um cronograma de atividades semanais e procure cumprir o que foi planejado.
12 Elimine o pessimismo, e  adote uma atitude positiva diante dos desafios encontrados no caminho do aprendizado
13  Pratique alguma atividade física. Deve haver uma harmonia entre a mente e o corpo.
14  Tenha momentos de lazer, afinal ninguém é de ferro.
15 Estudo nunca é demais e a cada vez que você ler, escrever, acessar, revisar o conteúdo encontrará dados novos nos quais não reparou da primeira vez.

Para ser bem sucedido não adianta querer apenas, é necessário ter objetivo, organização, prioridade e com certeza você terá êxito.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Como fazer uma resenha

Ivan Carlo
Uma resenha, ao contrário do que imagina a maioria das pessoas, não é um resumo de uma obra. A resenha exige uma leitura atenta e conhecimento sobre o assunto a ser resenhado.

Historicamente, a resenha surgiu da necessidade de escolha en-tre diversos livros que estavam sendo publicados. Como escolher entre tantas obras? O resenhista era a pessoa que lia, fazia o comentário e dava ao leitor informações que permitiriam saber se interessava ou não ler a obra original. Essa função ainda é cumprida atualmente pelos cadernos de cultura dos jornais, que apresentam resenhas sobre livros, filmes e até CDs. Um interessante site de resenhas é o Digestivo Cultural.
Normalmente, também revistas científicas apresentam resenhas. Nesse caso, o resenhista deve ser um pouco mais cuidadoso, pois ele estará falando para pessoas especialistas em determinada área de conhecimento.
Muitos autores têm classificado a resenha, mas a que parece mais adequada é a divisão entre resenha literária e resenha científica. A literária se destina ao público leigo e tem menos elementos obrigatórios. O objetivo é apenas apresentar informações sobre uma determinada obra, dando ao leitor condições de escolher se quer ou não comprá-la.
A resenha científica deve, além disso, apresentar a importância científica da obra, o paradigma do autor, entre outras informações.
Abaixo, alguns elementos necessários a uma resenha:

Referência bibliográfica completa
O resenhista deve colocar, no início da resenha, todos os elementos bibliográficos, de acordo com as regras da ABNT. No caso de uma resenha literária, bastam o título do livro, o nome do autor e a editora.

Credenciais do autor
Informações sobre o autor, em especial sua formação universitária, títulos e livros publicados.

Resumo da obra (digesto)
Aqui se resume as idéias principais do autor. É aconselhável que dê uma visão geral da obra, e haja um aprofundamento de um capítulo ou mais.

Conclusões da autoria
Qual é a tese do autor? O que ele quer provar com seu livro? A que conclusões ele chega?

Metodologia
Qual foi a metodologia utilizada pelo autor? O texto é apenas um en-saio, ou é resultado de uma pesquisa de campo? Sua pesquisa é qualitativa ou quantitativa?

Quadro de referências do autor (paradigma)
Qual é o paradigma no qual o autor sustenta suas idéias? Cada área de conhecimento tem seus paradigmas específicos. Nas ciências sociais, por exemplo, há o paradigma marxista, o positivista/funcionalista, o estruturalista...

Crítica do resenhista
Esse é o momento em que o resenhista faz sua análise da obra. Qual a sua importância? Que contribuição ela traz para o seu campo de estudo. Como é a linguagem do autor? Simples, clara, complexa, rebuscada? O livro aprofunda os assunto estudados? Atenção: criticar não significa falar mal, mas falar com embasamento. Portanto, pode-se sim, elogiar a obra.

Indicações do resenhista
A quem se destina a obra? Quem poderia se interessar por ela? O lei-tor precisa ter algum tipo de conhecimento prévio para compreender o livro? É um dos itens mais importantes da resenha.

Nem sempre é possível fazer uma resenha com todos esses elementos e já li ótimas resenhas que não de fato não tinham um ou mais elementos apresentados acima.
Também é importante dizer que esses elementos foram divididos por questões didáticas, mas a maioria dos autores faz um texto corrido no qual aparecem as informações necessárias de uma resenha.
A resenha científica deve evitar expressões pessoais.

Clique aqui para ler uma resenha literária e aqui para ler uma resenha de um livro na área do Direito.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

O bom uso do Power point

Ivan Carlo

O power point e o data-show podem ser ótimos recursos, mas só se bem usados. Caso contrário, só provoca sono na plateia.

Abaixo alguns pontos importantes na hora de usar esse recurso:

1) Para começar, é preciso lembrar que se trata de um recurso audio-VISUAL. Ou seja: você usa quando tem algo para mostrar, um gráfico, uma tabela, uma imagem, um vídeo, um organograma, um fluxograma. Se é só para colocar texto para a plateia ler, melhor entregar uma apostila. Fuciona melhor e não dá sono.
2) O que é importante deve vir em destaque. Vale uma animação, uma setinha apontando para uma parte importante do texto... Só não se deve exagerar.
3) Cuidado com o tamanho da letra (uma vez uns alunos apresentando trabalho colocaram o texto numa fonte tão pequena que eles mesmo tinham dificuldade para ler). Tamanho mínimo: 24.
4) Uma informação em cada slide. Não junte várias informações em um único tópico.
5) Ilustre. Em uma apresentação sobre a filosofia aristotélica não custa nada colocar a imagem do Aristóteles. Isso vai ajudar a plateia a visualizar o assunto. Lembre-se: o data-show é um recurso audio-visual.
6) Não se limite a ler o que está escrito no slide. A pessoas que estão assistindo sua apresentação sabem ler, pelo menos teoricamente. Ler em um momento ou outro para destacar uma informação, tudo bem. Mas quem fica lendo slide dá mensagem clara: "Eu não conheço muito desse assunto, então vou me apegar nesse slide, e tomara que ninguém faça perguntas!".
7) Fundo preto doi na vista. Os fundos claros são muito mais agradáveis.
8) Não passe muito tempo em um único slide. Máximo cinco minutos em cada slide, ou você estará dando a impressão de que não precisava do recurso ou que não sabe se organizar. Eu figo agoniado quando vejo que slide não passa. Dá a impressão de que a pessoa está enrolando.
9) Tenha sempre um plano B. Se o recurso falhou, tenha um cópia impressa dos slides e use a imaginação. Muitas vezes, o plano B acaba sendo melhor que o plano A.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

O problema científico


Todo trabalho começa com um questionamento, uma pergunta que deve ser respondida. A essa pergunta chama-se Problema. Um problema inteligente é aquele que contem uma possível resposta e delimita a pesquisa, além de relacionar duas ou mais variáveisAssim, o problema abaixo não é uma pergunta inteligente:
Qual o impacto das novas tecnologias sobre o comportamento das pessoas?
O que há de errado com ele? Primeiro, ele não delimita a pesquisa. Segundo ele não faz relação entre variáveis. O mesmo problema poderia ser melhor expresso da seguinte maneira:

O uso do computador torna as pessoas mais solitárias?

Formulado assim, o problema nos dá uma idéia de como deveremos fazer a nossa pesquisa e até a respeito da metodologia necessária para responder a essa pergunta. Ele estabelece uma relação entre uma variável independente (uso do computador) e uma variável dependente (aumento de solidão).A problemática deve ser elaborada de forma clara e precisa.Um outro exemplo:Qual a causa do grande número de assassinatos com armas brancas em Macapá?A problemática acima, embora seja uma pergunta e possa ser aceita em um projeto, não cumpre a função de delimitar a pesquisa e indicar uma relação entre variáveis.

O mesmo problema seria melhor descrito da seguinte maneira:

O grande número de assassinatos com armas brancas em Macapá é provocado pelo uso abusivo de bebidas alcoólicas?

Redigida assim, o problema dá ao pesquisador uma boa noção de como fazer a pesquisa. Ele deverá procurar uma relação entre os assassinatos com arma branca (variável dependente) e o consumo abusivo de bebidas alcoólicas (variável independente).

Segundo Rudio (autor do ótimo livro Introdução ao Projeto de pesquisa), o problema deve apresentar três qualidades fundamentais: a) enunciar uma questão cuja melhor solução seja uma pesquisa; b) apresentar uma questão que possa ser resolvida através de processos científicos; c) ser factível com relação à capacidade de pesquisa do investigador.

Assim, indagar quantos dias tem o ano não é um problema científico, pois a resposta é conhecida e não é necessário pesquisar para descobri-la.

Da mesma forma, questões que não possam ser resolvidas cientificamente não servem. Por exemplo: qual é a cor das asas dos anjos? Até o momento, a ciência não desenvolveu instrumentos que permitam descobrir a resposta para essa pergunta. Esse, portanto, não é um problema científico.Quanto ao item c, muitas vezes os alunos escolhem um problemática que demanda grandes recursos ou toda uma equipe. Exemplo: “O papel da mulher sofreu alterações na literatura de todos os países do mundo na virada do século XIX para o século XX?”. Uma problemática dessas é impossível de ser realizada por um único pesquisador. Semelhante tema poderia ser melhor formulado da seguinte maneira: “O papel da mulher sofreu alterações significativas na literatura brasileira durante a virada do século XIX para o século XX?”.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Dica de filme: Watchmen

Ivan Carlo Andrade de Oliveira

Watchmen, filme de Zack Snyder, baseado na obra de Alan Moore e Dave Gibbons, parece apenas mais um filme de super-heróis. Mas, por trás dos uniforme e das máscara, há uma obra que envolve conceitos filosóficos e científicos.
Watchmen surgiu de uma ideia de Alan Moore de mostrar como seria o mundo se os super-heróis realmente existissem. Como eles se relacionariam com os seres humanos normais, quais seriam suas angústias, que consequências isso teria?
Para responder a essas perguntas, Moore lançou mão de um dos princípios da teoria do caos: o efeito borboleta. Esse conceito foi elaborado a partir da grande dependência das condições iniciais apresentadas pelos fractais. A mudança de um único número pode transformar completamente o formato de um desenho fractal. A mesma regra vale para alguns eventos não lineares. Assim, o bater de asas de uma borboleta nas muralhas da China pode provocar uma tempestade em Nova York.
Moore transpôs o conceito para os quadrinhos. Se o bater de asas de uma borboleta pode ter consequências tão imprevistas, imagine-se o surgimento de super-heróis. Para Moore, o mundo jamais seria o mesmo. Com isso ele destruiu a ilusão de que deuses poderiam andar entre nós sem afetar radicalmente nosso cotidiano.
Até então, os avanços tecnológicos conseguidos pelos super-heróis não afetavam em absoluto o mundo em que viviam. Um exemplo disso são as histórias do Quarteto Fantástico, no qual apareciam foguetes estelares e computadores capazes de criar realidade virtual, mas essas mudanças não afetavam a vida das pessoas comuns.
O mundo de Watchmen que, até a década de 60 era semelhante ao nosso, transforma-se com o surgimento do primeiro herói com superpoderes de verdade: o Dr. Manhattan. Seu surgimento fez com que os EUA vencessem a guerra do Vietnã e, de certa forma, a Guerra Fria. . A cena inicial do filme, com créditos mostra as mudanças socias, políticas e tecnológicas provocadas pelo surgimento dos heróis: a repressão ao movimento hippie, o avanço da violência, a tensão com os países socialistas aumentando, o avanço da tecnologia...
É de se destacar que a própria transformação de Manhattan em um ser super-poderoso é provocado por um fato trivial, um efeito borboleta: o esquecimento de um relógio numa câmara de campo intrínseco.
Essa nova perspectiva e a narrativa não-linear, repleta de flash-backs e de informações em variados níveis tornaram Watchmen a obra a mais revolucionária da época.
Vista sob a perspectiva dos anos 90, Watchmen destaca-se por ser uma obra nitidamente pós-moderna. Algumas características das obras pós-modernas podem ser facilmente encontradas na HQ e no filme. Entre elas o uso de formas gastas e da cultura de massas. A construção em abismo é outra característica que encaixa Watchmen no grupo de obras pós-modernas. A história inicia com uma trama básica, a respeito de um matador de mascarados, e, a partir dela, desmembra-se outras tramas. Como num fractal, à medida em que nos aprofundamos, a história vai nos revelando novas complexidades.
Temos ainda o uso de personagens reais (Nixon aparece na história), o pesadelo tecnológico (o mundo de Watchmen está à beira de uma guerra nuclear), o uso de citações e metalinguagem (um garoto lê, em uma banca de revistas, um gibi de piratas que pode ser considerado como uma metáfora de toda a história - essa HQ foi transformada em desenho animado e lançada como DVD).
Mas a principal característica pós-moderna da história parece ser a mistura do sério com o divertido. Divertido porque Watchmen é uma história de super-heróis e, em certo sentido, policial, e guarda muitas características desses dois gêneros.
O caráter sério é a discussão sobre o mundo em que vivemos, sobre o que nos tornamos e sobre a ciência e a razão.
Um dos pontos-chave dessa discussão é o Dr. Manhattan que, graças a um acidente em um laboratório, torna-se onisciente e onipresente. Sua criação parte do princípio da ciência clássica de que o universo é um relógio e que, sabendo-se como funcionam seus mecanismos, é possível prever sua trajetória. Essa noção do universo como um relógio remonta a Laplace, sendo uma promessa da filosofia das luzes do século XVIII. Acreditava-se que a natureza seguia regras fixas que podiam ser descobertas com o uso da razão, como no caso de um relógio.
A inteligência laplaciana seria onisciente, mas impotente para realizar alterações no mundo à sua volta. Uma vez que tudo é determinado, restaria a ela apenas um olhar entediado sobre o porvir, pois nada poderia ocorrer que não tivesse previsto.
A inteligência laplaciana, como uma metáfora da ciência clássica, é representada em Watchmen pelo personagem Dr. Manhattan. Manhattan é um ser superpoderoso, mas incapaz de tomar decisões que não estejam incluídas no curso dos acontecimentos. À certa altura o personagem diz: “Tudo é pré-ordenado, até minhas respostas. Todos somos marionetes, Laurie. A diferença é que eu vejo os barbantes”.
Manhattan vive uma sabedoria que, ao invés de libertá-lo, torna-o prisioneiro dos acontecimentos. Essa postura o exime de responsabilidades.
Em contraposição ao demônio Laplaciano, Moore cria Ozymandias, um herói que cria estratégias a partir do caos, como pode-se perceber na sequência em ele olha para mutitela e toma decisões.
Em frente à multitela, Ozimandias monta sua estratégia a partir das informações que recebe a respeito da velocidade das partículas que se aproximam da abertura. A partir da entropia inicial, Ozimandias consegue perceber uma forma, um padrão. Assim, Ozymandias aproxima-se muito das teorias de Edgar Morin, segundo o qual a ciência deve trabalhar com ordem e caos e não com o determinismo.
Assistir Watchmen pode ser uma experiência divertida, mas pode ser também uma reflexão científica e a filosófica.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

O gerador de Lero-lero

IVAN CARLO ANDRADE DE OLIVEIRA

Tem gente que acha que escrever científicamente é escrever difícil. O texto enrolado e incompreensível virou sinônimo de ciência. Infelizmente, pois um dos princípios científicos básicos o da simplicidade, também chamado de Navalha de Ockan (segundo o qual, diante de duas explicações para o mesmo fato, a mais simples é a correta).
Já tivemos o famoso caso do físico Alan Sokal, que mandou um artigo para uma revista científica de sociologia, que foi publicado, com direito a elogios no editorial. Pouco depois, publicou um outro texto: "Físico faz experiência com revista social" no qual dizia que o artigo publicado pela revista de sociologia era apenas um amontoado de besteiras e só havia sido aceito porque: 1) ninguém tinha entendido nada, então acharam genial; 2) por causa do seu título de doutor em física; 3) ele falava o que eles queriam ouvir.
Infelizmente, poucos aprenderam com o caso Sokal e ainda se escreve muita bobagem que passa por ciência. Pior, muitas dessas bobagem são aceitas. Já existe até um gerador de Lero-lero (dica do Danilo Costa, da turma 2. DIN2) que promete fazer uma dissertação de mestrado apenas juntando palavras sem sentido. Coloquei a expressão"método científico" e vejam o que saiu:

É claro que o entendimento das metas propostas apresenta tendências no sentido de aprovar a manutenção dos métodos utilizados na avaliação de resultados. O que temos que ter sempre em mente é que a expansão dos mercados mundiais prepara-nos para enfrentar situações atípicas decorrentes das diversas correntes de pensamento.

Ou seja: um texto prolíxo, sem nenhum significado. Tudo, menos um texto científico.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Pra que serve a metodologia científica?

Ivan Carlo Andrade de Oliveira
Uma pergunta comum de meus alunos é: “Para que serve a metodologia científica?”. A resposta mais simples, e também a mais reducionista é que a metodologia serve para que o aluno possa fazer o trabalho de conclusão de curso, o famoso TCC.Recuso-me a acreditar que a metodologia científica sirva só para isso. Na verdade, espero que a disciplina desperte nos alunos o espírito científico. Não quero dizer com isso que pretenda transformá-los em cientistas (embora alguns provavelmente sigam essa carreira), mas que utilizem os critérios científicos no seu dia-a-dia.
Segundo Humberto Maturana, a ciência é uma forma de explicar o mundo. É através dela que compreendemos a realidade em que vivemos. Existem outras formas de explicações, algumas das quais são até superiores à ciência em determinados recortes da realidade. Mas a ciência se destaca por seguir uma metodologia que foi construída ao longo de séculos, e critérios específicos para distinguir o que é uma boa explicação e o que não é.
Há algum tempo, meu filho se viu em dúvida sobre qual é o animal mais rápido do mundo. Alguns diziam que era guepardo; já para outros, era o falcão.
Quem estava com a razão? Eu o orientei a verificar a fonte de cada informação. Nesse assunto, por exemplo, a opinião de um zoólogo tem muito mais validade que a opinião de um leigo. Ao se deparar com duas informações controversas, o ideal é verificar qual das fontes tem mais credibilidade. A revista Superinteressante é mais confiável que a Recreio. Por sua vez, a Scientific American é mais confiável que a Super. Por outro lado, uma revista científica, editada por uma sociedade de pesquisa, é mais confiável que a Scientific American.
Diante de informações contraditórias sobre fontes igualmente confiáveis (digamos que a Galileu diga uma coisa e a Super outra), o ideal é procurar uma terceira fonte.Isso vale até para informações que recebemos oralmente. Se um amigo me diz que o supermercado foi assaltado e outro afirma que a vítima foi a padaria, e se estou interessado no assunto, devo procurar uma terceira pessoa, de preferência alguém que estivesse presente ao acontecimento (uma fonte, portanto, mais confiável).
Esse princípio básico, que jornalistas, administradores e profissionais em geral, usam em seu dia-a-dia é um critério científico que remonta ao filósofo René Descartes, segundo o qual nunca devemos aceitar como verdade, algo que não conhecemos evidentemente como tal e, antes de chegar a uma conclusão sobre um assunto, fazer todas as revisões e verificações necessárias.
Um aspecto que costuma assustar os estudantes que se deparam com a metodologia científica é o projeto de pesquisa. Talvez porque ele seja ensinado como um modelo rígido que deve ser seguido sem que seja necessário compreender muita coisa.Acontece que cotidianamente fazemos, informalmente, projetos de pesquisa.
Um exemplo corriqueiro: quero fazer uma receita de bolo. Eu tenho consciência de que um bolo é uma junção sólida de uma série de ingredientes, tais como ovos, farinha de trigo e leite, mas percebo que sou incapaz de fazer algo comível sem uma receita. Então me lembro que minha avó me conseguiu uma receita de um delicioso bolo de milho com queijo.
Surge um problema: onde está a receita? O problema é uma pergunta, que deve ser respondida através de uma pesquisa. É um ponto básico de qualquer projeto científico.
Mas não basta ter um problema, também é necessário ter uma hipótese, uma resposta provisória, que irá orientar minha pesquisa. Senão corro risco de passar anos procurando pela receita.
Minha hipótese é: a receita está dentro de um dos livros de minha biblioteca. Quando mais específica for minha hipótese, melhor. A hipótese “A receita do bolo está dentro do livro O nome da rosa” é melhor que a anterior, pois é mais específica.
Bem, resta pesquisar, mas para isso é necessário ter um método. Posso decidir, por exemplo, que o melhor método para encontrar a receita é abrir o livro e folheá-lo.
Em seguida, faço a pesquisa, que pode confirmar ou falsear a hipótese.Estão aí os elementos básicos de um projeto: o tema (o bolo); um problema (Onde está a receita de bolo?); uma hipótese (a receita de bolo está dentro do livro O nome da rosa) e uma metodologia. Poderíamos acrescentar o objetivo (encontrar a receita de bolo).
O exemplo, espero, demonstra que a metodologia não é uma coisa misteriosa, que deve ser decorada para passar de ano e depois esquecida. Ao contrário, o espírito científico e sua forma de agir (a metodologia) são essenciais para lidarmos com boa parte das questões com as quais nos deparamos no nosso cotidiano, seja a indagação sobre onde está a receita de bolo ou a decisão, por parte de um administrador, se acredita ou não em determinada informação.
Os grandes autores aos quais a metodologia científica é devedora (René Descartes, Karl Popper, Thomas S. Kuhn, Humberto Maturana, Edgar Morin) não estavam pensando em criar um método que deveria ser seguido apenas por cientistas, mas uma forma de pensar que ajudasse as pessoas, em geral, a compreenderem o mundo em que vivem.