sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Carta do Zé
Luis, quanto tempo!
Eu sou o Zé, teu colega de ginásio noturno, que chegava atrasado, porque o transporte escolar do sítio sempre atrasava, lembra né? O Zé do sapato sujo? Tinha professor e colega que nunca entenderam que eu tinha de andar a pé mais de meia légua para pegar o caminhão por isso o sapato sujava.
Se não lembrou ainda eu te ajudo. Lembra do Zé Cochilo... hehehe, era eu. Quando eu descia do caminhão de volta pra casa, já era onze e meia da noite, e com a caminhada até em casa, quando eu ia dormi já era mais de meia-noite.
De madrugada pai precisava de ajuda pra tirar leite das vacas. Por isso eu só vivia com sono. Do Zé Cochilo você lembra né Luis?
Pois é. Estou pensando em mudar para viver ai na cidade que nem vocês. Não que seja ruim o sítio, aqui é bom. Muito mato, passarinho, ar puro... Só que acho que estou estragando muito a tua vida e a de teus amigos ai da cidade.
To vendo todo mundo falar que nós da agricultura familiar estamos destruindo o meio ambiente.
Veja só. O sítio de pai, que agora é meu (não te contei, ele morreu e tive que parar de estudar) fica só a uma hora de distância da cidade. Todos os matutos daqui já têm luz em casa, mas eu continuo sem ter porque não se pode fincar os postes por dentro uma tal de APPA que criaram aqui na vizinhança.
Minha água é de um poço que meu avô cavou há muitos anos, uma maravilha, mas um homem do governo veio aqui e falou que tenho que fazer uma outorga da água e pagar uma taxa de uso, porque a água vai se acabar. Se ele falou deve ser verdade, né Luis?
Pra ajudar com as vacas de leite (o pai se foi, né ...) contratei Juca, filho de um vizinho muito pobre aqui do lado. Carteira assinada, salário mínimo, tudo direitinho como o contador mandou. Ele morava aqui com nós num quarto dos fundos de casa. Comia com a gente, que nem da família. Mas vieram umas pessoas aqui, do sindicato e da Delegacia do Trabalho, elas falaram que se o Juca fosse tirar leite das vacas às 5 horas tinha que receber hora extra noturna, e que não podia trabalhar nem sábado nem domingo, mas as vacas daqui não sabem os dias da semana ai não param de fazer leite. Ô, bichos aí da cidade sabem se guiar pelo calendário?
Essas pessoas ainda foram ver o quarto de Juca, e disseram que o beliche tava 2 cm menor do que devia. Nossa! Eu não sei como encumpridar uma cama, só comprando outra né Luis? O candeeiro eles disseram que não podia acender no quarto, que tem que ser luz elétrica, que eu tenho que ter um gerador pra ter luz boa no quarto do Juca.
Disseram ainda que a comida que a gente fazia e comia juntos tinha que fazer parte do salário dele. Bom Luis, tive que pedir ao Juca pra voltar pra casa, desempregado, mas muito bem protegido pelos sindicatos, pelo fiscais e pelas leis. Mas eu acho que não deu muito certo. Semana passada me disseram que ele foi preso na cidade porque botou um chocolate no bolso no supermercado. Levaram ele pra delegacia, bateram nele e não apareceu nem sindicato nem fiscal do trabalho para acudi-lo.
Depois que o Juca saiu eu e Marina (lembra dela, né? casei) tiramos o leite às 5 e meia, ai eu levo o leite de carroça até a beira da estrada onde o carro da cooperativa pega todo dia, isso se não chover. Se chover, perco o leite e dou aos porcos, ou melhor, eu dava, hoje eu jogo fora.
Os porcos eu não tenho mais, pois veio outro homem e disse que a distância do chiqueiro para o riacho não podia ser só 20 metros . Disse que eu tinha que derrubar tudo e só fazer chiqueiro depois dos 30 metros de distância do rio, e ainda tinha que fazer umas coisas pra proteger o rio, um tal de digestor. Achei que ele tava certo e disse que ia fazer, mas só que eu sozinho ia demorar uns trinta dia pra fazer, mesmo assim ele ainda me multou, e pra poder pagar eu tive que vender os porcos as madeiras e as telhas do chiqueiro, fiquei só com as vacas. O promotor disse que desta vez, por esse crime, ele não ai mandar me prender, mas me obrigou a dar 6 cestas básicas pro orfanato da cidade. Ô Luis, ai quando vocês sujam o rio também pagam multa grande né?
Agora pela água do meu poço eu até posso pagar, mas tô preocupado com a água do rio. Aqui agora o rio todo deve ser como o rio da capital, todo protegido, com mata ciliar dos dois lados. As vacas agora não podem chegar no rio pra não sujar, nem fazer erosão. Tudo vai ficar limpinho como os rios ai da cidade. A pocilga já acabou as vacas não podem chegar perto. Só que alguma coisa tá errada, quando vou na capital nem vejo mata ciliar, nem rio limpo. Só vejo água fedida e lixo boiando pra todo lado.
Mas não é o povo da cidade que suja o rio, né Luis? Quem será? Aqui no mato agora quem sujar tem multa grande, e dá até prisão. Cortar árvore então, Nossa Senhora!. Tinha uma árvore grande ao lado de casa que murchou e tava morrendo, então resolvi derrubá-la para aproveitar a madeira antes dela cair por cima da casa.
Fui no escritório daqui pedir autorização, como não tinha ninguém, fui no Ibama da capital, preenchi uns papéis e voltei para esperar o fiscal vim fazer um laudo, para ver se depois podia autorizar. Passaram 8 meses e ninguém apareceu pra fazer o tal laudo ai eu vi que o pau ia cair em cima da casa e derrubei. Pronto! No outro dia chegou o fiscal e me multou. Já recebi uma intimação do Promotor porque virei criminoso reincidente. Primeiro foi os porcos, e agora foi o pau. Acho que desta vez vou ficar preso.
Tô preocupado Luis, pois no rádio deu que a nova lei vai dá multa de 500 a 20 mil reais por hectare e por dia. Calculei que se eu for multado eu perco o sítio numa semana. Então é melhor vender, e ir morar onde todo mundo cuida da ecologia.. Vou para a cidade, ai tem luz, carro, comida, rio limpo. Olha, não quero fazer nada errado, só falei dessas coisas porque tenho certeza que a lei é pra todos.
Eu vou morar ai com vocês, Luis. Mais fique tranqüilo, vou usar o dinheiro da venda do sítio primeiro pra comprar essa tal de geladeira. Aqui no sitio eu tenho que pegar tudo na roça. Primeiro a gente planta, cultiva, limpa e só depois colhe pra levar pra casa. Ai é bom que vocês e só abrir a geladeira que tem tudo. Nem dá trabalho, nem planta, nem cuida de galinha, nem porco, nem vaca é só abri a geladeira que a comida tá lá, prontinha, fresquinha, sem precisá de nós, os criminosos aqui da roça.
Até mais Luis.
Ah, desculpe Luis, não pude mandar a carta em papel reciclado pois não existe por aqui, mas aguarde até eu vender o sítio.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
O Big Brother Brasil e os direitos de personalidade
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
O problema científico

Todo trabalho começa com um questionamento, uma pergunta que deve ser respondida. A essa pergunta chama-se Problema. Um problema inteligente é aquele que contem uma possível resposta e delimita a pesquisa, além de relacionar duas ou mais variáveisAssim, o problema abaixo não é uma pergunta inteligente:
Qual o impacto das novas tecnologias sobre o comportamento das pessoas?
O que há de errado com ele? Primeiro, ele não delimita a pesquisa. Segundo ele não faz relação entre variáveis. O mesmo problema poderia ser melhor expresso da seguinte maneira:
O uso do computador torna as pessoas mais solitárias?
Formulado assim, o problema nos dá uma idéia de como deveremos fazer a nossa pesquisa e até a respeito da metodologia necessária para responder a essa pergunta. Ele estabelece uma relação entre uma variável independente (uso do computador) e uma variável dependente (aumento de solidão).A problemática deve ser elaborada de forma clara e precisa.Um outro exemplo:Qual a causa do grande número de assassinatos com armas brancas em Macapá?A problemática acima, embora seja uma pergunta e possa ser aceita em um projeto, não cumpre a função de delimitar a pesquisa e indicar uma relação entre variáveis.
O mesmo problema seria melhor descrito da seguinte maneira:
O grande número de assassinatos com armas brancas em Macapá é provocado pelo uso abusivo de bebidas alcoólicas?
Redigida assim, o problema dá ao pesquisador uma boa noção de como fazer a pesquisa. Ele deverá procurar uma relação entre os assassinatos com arma branca (variável dependente) e o consumo abusivo de bebidas alcoólicas (variável independente).
Segundo Rudio (autor do ótimo livro Introdução ao Projeto de pesquisa), o problema deve apresentar três qualidades fundamentais: a) enunciar uma questão cuja melhor solução seja uma pesquisa; b) apresentar uma questão que possa ser resolvida através de processos científicos; c) ser factível com relação à capacidade de pesquisa do investigador.
Assim, indagar quantos dias tem o ano não é um problema científico, pois a resposta é conhecida e não é necessário pesquisar para descobri-la.
Da mesma forma, questões que não possam ser resolvidas cientificamente não servem. Por exemplo: qual é a cor das asas dos anjos? Até o momento, a ciência não desenvolveu instrumentos que permitam descobrir a resposta para essa pergunta. Esse, portanto, não é um problema científico.Quanto ao item c, muitas vezes os alunos escolhem um problemática que demanda grandes recursos ou toda uma equipe. Exemplo: “O papel da mulher sofreu alterações na literatura de todos os países do mundo na virada do século XIX para o século XX?”. Uma problemática dessas é impossível de ser realizada por um único pesquisador. Semelhante tema poderia ser melhor formulado da seguinte maneira: “O papel da mulher sofreu alterações significativas na literatura brasileira durante a virada do século XIX para o século XX?”.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Ciclo de palestras sobre as inovações do Processo Civil
10.12
O processo civil e seus aspectos gerais
hora: 19:30
Local: NPJ - CEAP
11.12
Direito Civil - parte geral
Hora: 10
Local: NPJ - CEAP
Processo civil - recurso
Hora: 16
Local: NPJ - CEAP
As inovações do processo civil
Hora: 19:30
Local: auditório do SEBRAE
Apresentação de posteres
sábado, 5 de dezembro de 2009
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Programação do Tríduo
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Palestrante usa músicas de pop-rock para falar da constituição

O palestrante Roberto Maia Filho, doutor em Direito e juiz, fez a primeira palestra do Tríduo Jurídico falando sobre a Constituição Federal.O tema oficial era 20 questões constitucionais, mas o palestrante batizou sua apresentação de "Contando e cantando a constituição". A grande inovação ficou por conta da forma como o tema foi apresentado. Para cada item eram apresentadas uma ou mais músicas, principalmente de pop- rock. Para falar, por exemplo, da contextualização histórica da criação da CF, surgida numa época em que o Brasil saía da ditadura para entrar na democracia, Roberto Maia Filho usou as músicas "Polícia", dos Titãs e "Veraneio Vascaina", do Capital Inicial.
No final, o teatro das bacabeiras lotado se levantou e aplaudiu de pé, por quase cinco minutos.
Abaixo, os principais tópicos da palestras, com algumas das músicas usadas.


A música "Eu quero sempre mais" representou os anseios dos vários setores da sociedade, que depositavam na CF suas esperanças. Como resultado, surgiu uma constituição "Exagerada"."
Exagerado
Jogado aos teus pés
Eu sou mesmo exagerado
Adoro um amor inventado
Eu nunca mais vou respirar
Se você não me notar
Eu posso até morrer de fome
Se você não me amar" Cazuza
Até a música "Robocop Gay" foi usada para falar do respeito às diferenças e liberdades individuais.
A CF regulamentou a concessão de rádios e televisões, mas a música "Televisão", dos Titãs trouxe um questionamento sobre a qualidade da programação. A emissoras estariam cumprindo sua função social?"A Televisão
Me deixou burro
Muito burro demais
Oi! Oi! Oi!
Agora todas coisas
Que eu penso
Me parecem iguais
Oi! Oi! Oi!...
O sorvete me deixou gripado
Pelo resto da vida
E agora toda noite
Quando deitoÉ boa noite, querida...." Titãs
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
É hoje!
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Tríduo Jurídico é destaque no Jornal do Dia

Chamada de trabalhos para o I Seminário de Práticas Interdisciplinares

segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Mudança na programação do XIII Tríduo Jurídico

19:00 - Palestra com Nelson Edson da Conceição Junior sobre Tributação e cidadania
20:00 - Palestra com Daniel Carnio Costa sobre Direito Constitucional Processual.
Nelson Edson da Conceição Júnior é Mestrando em Direito Ambiental e Políticas Públicas da Universidade Federal do Amapá. Sua dissertação é na área de tributação ambiental. Atualmente é Procurador da Fazenda Nacional no Estado do Amapá e Professor de Direito Processual Civil e de Direito Processual Tributário.
Daniel Carnio Costa é mestre pela FADISP. Atualmente é coordenador e professor do curso de pós-graduação em direito da UNAERP, campus Guarujá/SP, professor da graduação e da pós-graduação em direito da FADISP, professor convidado da FAAP/SP, professor convidado da EPM - Escola Paulista da Magistratura e professor palestrante em diversos cursos de pós-gradução em nível nacional. Autor dos livros Execução no Processo Civil Brasileiro e Danos Individuais e Ações Coletivas, ambos da editora Juruá. É Juiz de Direito (Tribunal de Justiça de São Paulo) desde 1998.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Procurador da Fazenda Nacional será palestrante do Tríduo Jurídico
Evandro Costa Gama, Procurador da Fazenda Nacional em São Paulo, será a grande atração do segundo dia do XIII Tríduo Jurídico. Ele falará sobre Democracia Participativa na Administração Pública do Século XXI no dia 3 de dezembro, no teatro das Bacabeiras.
Evandro Costa Gama é membro de carreira da AGU. É natural de Macapá, no Estado do Amapá. É doutorando em Direito Econômico e Financeiro, pela Universidade de São Paulo – USP. Desde 1998 é Procurador da Fazenda Nacional, na cidade de São Paulo. Chegou a ocupar o cargo de Procurador-Chefe Substituto da Divisão de Assuntos Judiciais e Subprocurador-Chefe da Fazenda Nacional no Estado. No ano de 2000 foi representante da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional no Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda.
Doutor em direito será o primeiro palestrante do Tríduo

Roberto Maia Filho falará sobre "Vinte questões constitucionais" no dia 2 de novembro, às 19:30, no Teatro das Bacabeiras.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Cyberbullying
Tarso Genro diz que Supremo contrariou jurisprudência ao decidir sobre extradição de Battisti

sábado, 21 de novembro de 2009
Como fazer um resumo científico
1) INTRODUÇÃO (2-3 sentenças): verbo no tempo presente...... Dê a informação básica, defina o(s) objetivo(s), identifique sua hipótese.
2) MÉTODOS (1-2 sentenças): verbo no tempo pretérito...... Explique os procedimentos usados para testar sua hipótese.
3) RESULTADOS (3-4 sentenças): verbo no tempo pretérito...... Descreva seus resultados mais importantes (Foi observado que... )
4) DISCUSSÃO (1-2 sentenças): verbo no tempo presente...... Discuta seus resultados mais importantes (Os resultados indicam, demonstram, sugerem...)
5) CONCLUSÕES (1-2 sentenças): verbo no tempo presente. Evite especulações.
O RESUMO DEVE CONTER SOMENTE AS INFORMAÇÕES MAIS PERTINENTES DE UMA FORMA CLARA E CONCISA.
SUGESTÕES GERAIS
- Use um título informativo e específico para ganhar a atenção da audiência/leitor.
- Descreva somente alguns resultados importantes por resumo.
- Use sentenças diretas na voz ativa.
- Evite detalhes desnecessários em Métodos/Procedimentos e Resultados.
- Limite o uso do gerúndio.
- Não faça citações.
Clique aqui para ler o texto completo.




















